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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Lev Vygotsky, o teórico do ensino como processo social


Lev Vygotsky, o teórico do ensino como processo social

A obra do psicólogo ressalta o papel da escola no desenvolvimento mental das crianças e é uma das mais estudadas pela pedagogia contemporânea

Márcio Ferrari

Lev Vygotsky. Foto: reprodução
Lev Vygotsky

Relação homem-ambiente 
Os estudos de Vygotsky sobre aprendizado decorrem da compreensão do homem como um ser que se forma em contato com a sociedade. "Na ausência do outro, o homem não se constrói homem", escreveu o psicólogo. Ele rejeitava tanto as teorias inatistas, segundo as quais o ser humano já carrega ao nascer as características que desenvolverá ao longo da vida, quanto as empiristas e comportamentais, que vêem o ser humano como um produto dos estímulos externos. Para Vygotsky, a formação se dá numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade a seu redor - ou seja, o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. Essa relação não é passível de muita generalização; o que interessa para a teoria de Vygotsky é a interação que cada pessoa estabelece com determinado ambiente, a chamada experiência pessoalmente significativa.

Segundo Vygotsky, apenas as funções psicológicas elementares se caracterizam como reflexos. Os processos psicológicos mais complexos - ou funções psicológicas superiores, que diferenciam os humanos dos outros animais - só se formam e se desenvolvem pelo aprendizado. Entre as funções complexas se encontram a consciência e o discernimento. "Uma criança nasce com as condições biológicas de falar, mas só desenvolverá a fala se aprender com os mais velhos da comunidade", diz Teresa Rego.

Outro conceito-chave de Vygotsky é a mediação. Segundo a teoria vygotskiana, toda relação do indivíduo com o mundo é feita por meio de instrumentos técnicos - como, por exemplo, as ferramentas agrícolas, que transformam a natureza - e da linguagem - que traz consigo conceitos consolidados da cultura à qual pertence o sujeito.

O papel do adulto 
Todo aprendizado é necessariamente mediado - e isso torna o papel do ensino e do professor mais ativo e determinante do que o previsto por Piaget e outros pensadores da educação, para quem cabe à escola facilitar um processo que só pode ser conduzido pelo própria aluno. Segundo Vygotsky, ao contrário, o primeiro contato da criança com novas atividades, habilidades ou informações deve ter a participação de um adulto. Ao internalizar um procedimento, a criança "se apropria" dele, tornando-o voluntário e independente.

Desse modo, o aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança, mas um se alimenta do outro, provocando saltos de nível de conhecimento. O ensino, para Vygotsky, deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de aprender sozinho, porque, na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o primeiro vem antes. É a isso que se refere um de seus principais conceitos, o de zona de desenvolvimento proximal, que seria a distância entre o desenvolvimento real de uma criança e aquilo que ela tem o potencial de aprender - potencial que é demonstrado pela capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um adulto. Em outras palavras, a zona de desenvolvimento proximal é o caminho entre o que a criança consegue fazer sozinha e o que ela está perto de conseguir fazer sozinha. Saber identificar essas duas capacidades e trabalhar o percurso de cada aluno entre ambas são as duas principais habilidades que um professor precisa ter, segundo Vygotsky.

Expansão dos horizontes mentais

Como Piaget, Vygotsky não formulou uma teoria pedagógica, embora o pensamento do psicólogo bielo-russo, com sua ênfase no aprendizado, ressalte a importância da instituição escolar na formação do conhecimento. Para ele, a intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente. Ao formular o conceito de zona proximal, Vygotsky mostrou que o bom ensino é aquele que estimula a criança a atingir um nível de compreensão e habilidade que ainda não domina completamente, "puxando" dela um novo conhecimento. "Ensinar o que a criança já sabe desmotiva o aluno e ir além de sua capacidade é inútil", diz Teresa Rego. O psicólogo considerava ainda que todo aprendizado amplia o universo mental do aluno. O ensino de um novo conteúdo não se resume à aquisição de uma habilidade ou de um conjunto de informações, mas amplia as estruturas cognitivas da criança. Assim, por exemplo, com o domínio da escrita, o aluno adquire também capacidades de reflexão e controle do próprio funcionamento psicológico.


Para pensar 
Vygotsky atribuiu muita importância ao papel do professor como impulsionador do desenvolvimento psíquico das crianças. A idéia de um maior desenvolvimento 
conforme um maior aprendizado não quer dizer, porém, que se deve apresentar uma quantidade enciclopédica de conteúdos aos alunos. O importante, para o pensador, é apresentar às crianças formas de pensamento, não sem antes detectar que condições elas têm de absorvê-las. E você? Já pensou em elaborar critérios para avaliar as habilidades que seus alunos já têm e aquelas que eles poderão adquirir? Percebe que certas atividades estimulam as crianças a pensar de um modo novo e que outras não despertam o mesmo entusiasmo?

Quer saber mais?


A Formação Social da Mente, Lev S. Vygotsky, 224 págs., Ed. Martins Fontes.
Vygotsky - Aprendizado e Desenvolvimento, Marta Kohl de Oliveira, 112 págs, Ed. Scipione, 
Vygotsky - Uma Perspectiva Histórico-Cultural da Educação, Teresa Cristina Rego,140 págs.Ed. Vozes.
Vygotsky - Uma Síntese, René van der Veer e Jaan Valsiner, 480 págs., Ed. Loyola.



Entrevista com Jean Piaget e Barbel Inhelder - cedido pela Universidade de Genebra - Arquivo Jean Piaget

  Boa noite gente,
     Segue a dica de um material muito interessante: Uma entrevista com Jean Piaget e Barbel Inhelder (Cedido pela Universidade de Genebra - Arquivo Jean Piaget). Esta entrevista encontra-se na versão original  (em inglês) no site:   http://www.abrae.com.br/entrevistas/entr_pia.htm.

Deixo aqui um pequeno resumo da entrevista (em português) e o inicio da tradução desta. (O texto integral da tradução encontra-se disponível aos interessados.
Favor solicitar: contato@abrae.com.br)

RESUMO DA ENTREVISTA
CONHECIMENTO e INTELIGÊNCIA SEGUNDO PIAGET

Segundo Piaget o desenvolvimento da inteligência é explicada pela relação recíproca com a gênese da inteligência e do conhecimento. Piaget criou um modelo epistemológico com base na interação sujeito-objeto. Pelo modelo epistemológico o conhecimento não está nem no sujeito, nem no objeto mas na interação entre ambos. A formação do conhecimento depende da ação simultânea do sujeito e objeto, um sobre o outro e portanto é possível afirmar que o conhecimento se forma enquanto o sujeito e o objeto também vão se formando. A ação tem a função de estabelecer o equilíbrio rompido entre o sujeito e seu meio-ambiente, ou seje, é o elo entre o indivíduo e o mundo exterior. Este elo envolve o aspecto energético (afetividade) e o estrutural (cognição), portanto, a formação do conhecimento, segundo Piaget envolve a vida cognitiva que se completam no processo.
Para Piaget existem duas formas de conhecimento:
  1. Conhecimento Físico – consiste no sujeito explorando os objetos;
  2. Conhecimento lógico-matemático – consiste no sujeito estabelecendo novas relações com os objetos.
INTELIGÊNCIA para Piaget é o processo interacional entre o sujeito e o objeto, ou seja, inteligência é a capacidade do sujeito em adaptar-se à realidade num processo dinâmico no qual o sujeito modifica os objetos e é modificado por eles.
Sob o ponto de vista da Epistemologia Genética a inteligência é um processo dinâmico que surge no início de sua gênese, de processos orgânicos e aí inicia sua elaboração que evolui e passa a recorrer a funções cognitivas como memória, percepção, hábitos que formam os primeiros instrumentos de trocas funcionais. Essas trocas funcionais passam a integrar operações, ou seja, transformações que engendram pensamento e raciocínio.

Em síntese, inteligência é um processo ativo de interação entre sujeito e objeto, a partir de ações que iniciam no organismo biológico e chegam à operações reversíveis entre o sujeito e sua relação com os objetos, portanto é algo construído e em permanente processo de transformação.



TRADUÇÃO
O gigante da psicologia do desenvolvimento e sua colaboradora falam sobre crianças – como elas aprendem, quando aprendem e o quê aprendem.

Jean Piaget: Devo alertá-la que não consigo entender inglês quando pronunciado corretamente, mas se você disser zis zat zhose, eu a acompanho.

Elizabeth Hall: E se você prometer falar um francês rudimentar, talvez eu entenda. Por sorte, temos Guy Cellerier aqui para resolver nossos problemas de linguagem. Você e Sigmund Freud são vistos como os dois gigantes da filosofia do século XX. Se Freud mudou nosso modo de pensar sobre a personalidade, você certamente o fez sobre a inteligência, ainda que exista uma confusão acerca de seu trabalho. Sempre que alguém tenta nos explicar suas teorias só consegue torná-las mais obscuras....


terça-feira, 12 de junho de 2012

A Dr. Marta Kohl traz ideias centrais nas teorias de Vygotsky e com relação à linguagem.

O vídeo apresenta a relação entre a linguagem e a fala das crianças. Além de nos esclarecer a noção de fala egocêntrica, onde a teoria de Vygotsky dialoga com a de Piaget e traça alguns pontos importantes com relação a fala interna que é visível desde a pré-escola. A Dr. Marta Kohl traz ideias centrais nas teorias de Vygotsky e com relação à linguagem.


Piaget - Escola construtivista x Escola tradicional, por Profª Ms. Cláudia Barbosa.

Piaget - Escola construtivista x Escola tradicional, por Profª Ms. Cláudia Barbosa.


A apresentação de PowerPoint que se segue, produzida pela Profª Ms. Cláudia Barbosa traz algumas noções que tratam das características de cada uma das perspectivas citadas 
(construtivista e tradicional).


domingo, 10 de junho de 2012

Para entender a relação entre desenvolvimento e apredizagem por Piaget

DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM
Jean Piaget

Primeiramente gostaria de tornar clara a diferença entre dois problemas: o problema do desenvolvimento em geral, e o problema da aprendizagem. Penso que estes problemas são muito diferentes, ainda que algumas pessoas não façam esta distinção.
O desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo, ligado ao processo global da embriogênese. A embriogênese diz respeito ao desenvolvimento do corpo, mas também ao desenvolvimento do sistema nervoso e ao desenvolvimento das funções mentais. No caso do desenvolvimento do conhecimento, a embriogênese só termina na vida adulta. É um processo de desenvolvimento total que devemos re-situar no contexto geral biológico e psicológico.
Em outras palavras, o desenvolvimento é um processo que se relaciona com a totalidade de estruturas do conhecimento. A aprendizagem apresenta o caso oposto. Em geral, a aprendizagem é provocada por situações - provocada por um experimentador psicológico; ou por um professor, com referência a algum ponto didático; ou por uma situação externa. Ela é provocada, em geral, como oposta ao que é espontâneo. Além disso, é um processo limitado a um problema simples ou uma estrutura simples.
Assim, considero que o desenvolvimento explica a aprendizagem, e esta opinião é contrária a opinião amplamente sustentada de que o desenvolvimento é uma soma de unidades de experiências de aprendizagem. Para alguns psicólogos o desenvolvimento é reduzido a uma série de itens específicos aprendidos, e então o desenvolvimento seria a soma, a acumulação dessa série de itens específicos. Penso que essa é uma visão atomista que deforma o estado real das coisas.
Na realidade, o desenvolvimento é o processo essencial e cada elemento da aprendizagem ocorre como uma função do desenvolvimento total, em lugar de ser um elemento que explica o desenvolvimento. Começarei, então, com uma primeira parte tratando do desenvolvimento e falarei sobre aprendizagem na segunda parte. Para compreender o desenvolvimento do conhecimento, devemos começar com uma idéia que me parece central: a idéia de operação. 
(...)

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Esse texto é ótimo! Para lê-lo por completo, acesse:  https://www.ead.ufrgs.br/rooda/biblioteca/abrirArquivo.php/turmas/9277/materiais/10976.pdf

Revista Viver Mente e Cérebro - Série "Memória da Pedagogia"


Boa noite pessoal,
Bom hoje fica também a dica da revista Viver Mente e Cérebro que vem sempre trazendo artigos muito interessantes para área de psicologia, pedagogia, educação, etc. 
A Coleção Memória da Pedagogia, da revista Viver Mente&Cérebro, dá panorama dos principais pensadores da educação e psicologia. Esta série é de edição antiga, porém muito interessante e que esta disponível para comprar no site: https://www.lojaduetto.com.br/produtos/?categoria=13 a um preço acessível.
A Edição de Nº 6: Perspectivas para o Novo Milênio, traz um artigo com titulo: AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM A teoria de desenvolvimento de Wallon dialoga com o interacionismo de Piaget e Vygotsky e é fundamental para compreender a dimensão afetiva do processo ensino-aprendizagem 




Perspectivas para o novo milênio
Memória da Pedagogia - Mente e Cérebro - Ed. nº 6

Esta edição aborda as perspectivas para a pedagogia no novo milênio. O século XXI anuncia uma crise de paradigmas que traz para a reflexão pedagógica conceitos novos como sustentabilidade, cidadania planetária, dialogismo e transculturalidade. Os artigos também trazem análises sobre a educação de jovens e adultos, o ensino baseado na antroposofia de Steiner, a obra do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos entre outros. O "Suplemento Especial" traz as novas tecnologias, como invasão do cotidiano pela internet, associadas a softwares educativos, sites especializados, blogs e Orkut, que obrigam a repensar a relação histórica entre oralidade, memória, aprendizado e suportes da escrita.




Emilia Ferreiro - A construção do conhecimento
Memória da Pedagogia - Mente e Cérebro - Ed. nº 5
Esta edição traz as contribuições da educadora argentina Emilia Ferreiro. Ela não apenas colocou a alfabetização no centro de suas preocupações como teve um papel determinante nas mudanças de políticas de ensino no Brasil nas últimas décadas. Este número enfoca uma discussão sobre a complexidade da proposta revolucionária de educação de Ferreiro e sobre as conquistas e os impasses oriundos de sua colocação em prática. O "Suplemento Especial" traça a história dos movimentos de alfabetização, um enredo no qual a obra de Emilia Ferreiro se insere como um dos capítulos decisivos.






Paulo Freire - A utopia do saber
Memória da Pedagogia - Mente e Cérebro - Ed. nº 4


Esta edição analisa o legado de Paulo Freire. Ele se tornou referência mundial para a pedagogia a partir de um método de alfabetização de adultos criado nos anos 60. Neste número são apontadas afinidades e defasagens em relação ao construtivismo e à transformação apressada de algumas de suas afirmações em slogans que levam para o âmbito escolar valores da vida pública sem ter em conta as especificidades de cada formação social. Ao final, o "Suplemento Especial" recapitula a obra de outro "revolucionário": Jean-Jacques Rousseau, filósofo do Iluminismo que antecipa o conceito romântico de " formação", constituindo uma das chaves para a moderna pedagogia.




Maria Montessori - O indivíduo em liberdade
Memória da Pedagogia - Mente e Cérebro - Ed. nº 3

Esta edição é dedicada a Maria Montessori, conhecida por ter criado um método de educação com ambientes e materiais de ensino cuja eficácia está no respeito às fases de desenvolvimento cognitivo da criança. Montessori não foi originalmente uma pedagoga, no sentido que o termo adquiriu nas últimas décadas, mas uma médica que identificou em seu trabalho com deficientes mentais alguns elementos passíveis de serem extrapolados para a comunidade geral das crianças numa situação de convívio escolar. O "Suplemento Especial" tem por tema a obra de Comenius, filósofo do século XVII que formulou o projeto de uma "educação universal", do qual Montessori pode ser considerada uma continuadora.

Vídeos - Piaget e Vygotsky

Boa noite gente, esses dois vídeos que seguem fazem um resumo bastante objetivo e interessante sobre a vida e as teorias de Jean Piaget e Vygotsky.
Aproveitem!